Lá fora chove…

Lá fora chove…

Porque não percorrer-te o teu corpo apenas nas mãos? Desenha-lo no toque, incendiar-te… Porque não beijar-te, como se te penetrasse a alma, aspirando todo o teu desejo? La fora chove, mas aqui, agora, quero-te húmida, quente, divinamente ansiosa… Porque não livramo-nos de todas as vestes do pecado que nos amedrontam, dispamos todos os pudores, entreguemo-nos aos lábios, às línguas sedentas, as bocas ansiosas… Misturemos suores, friccionando a pele, sincronizemo-nos, um movimento… Lá fora chove, aqui não… iluminemos o desejo, possuamo-nos violentamente, como se o diluvio acontecesse… Usemos o leito, o chão, as paredes, o mundo, sejamos um, sejamos um no outro, um pelo outro, gemamos juntos, gritemos juntos, deliremos juntos no orgasmo que nos trespassa… Lá fora chove, em nossos corpos também…

Tiago Paixão

Sem rumo

1aSem rumo

Quantas vezes perdido
Por caminho conhecido
Por um rumo desconhecido
Um esquecido destino!

Vira à direita,
Estrada estreita,
Vira à esquerda,
Caminho da perda,
Para, não avances
Sem que antes penses,
Rumo traçado
Não admite desvios
Serás desgastado
Por motivos óbvios!

Rua, estrada, caminho
Vida, decisão, avanço
Segue, espreita, crê
O caminho é teu
Caminharás
Mesmo sem dar um passo

Alberto Cuddel

Minha vida, teu mar

Minha vida, teu mar

Sentado na borda do silêncio, escuto a maresia dos teus lábios, viajo nas nuvens do teu sonho, entre o sabor salgado da tua pele… por entre a saudade de me ter no mar dos teus beijos, nos tentáculos apertados dos teus abraços, na teia sedosa das tuas palavras! Enredo-me nas memórias perdidas do esquecimentos dos tempos, mesmo assim desinibo-me, perdido nos desejos do teu corpo, por entre a suavidade do voo da gaivota, e a ferocidade do ataque bebendo em ti… cadência da marés, as ondas que te sobem pelo corpo, ora quentes arrebatadoras, ora gélidas, arrepiando a pele…
E mesmo assim, a fina areia condena-me, esfoliando-me o querer… irrita-me pensar-te aqui comigo…

Alberto Cuddel

Poesia Desinspirada

 

fumo tubo marracos linda

Desinspirado

Adormeci no silêncio que me grita na alma, busco palavras novas, ainda não escritas, para um novo poema imaginado ontem, nas águas turvas de um ribeiro seco, sem qualquer inspiração!
A musa que amanhã me dará de beber, hoje distante, ausente, nada me lembra, nada me sente!
Quedo-me quieto, esperando como quem espera um autocarro que passou, mesmo antes de ter chegado, olhar distante e vago. Não há dor em mim que me molde, tão pouco que solde ditongos ausentes de palavras diferentes e estranhas arrancadas as entranhas, de uma triste alma muda!

Mesmo assim a desavergonhada da secretária arqueia de pernas abertas sob o peso do meu corpo…

Alberto Cuddel

Novo Olhar, Poema

pexels-photo-326650.jpegNovo Olhar

Quebrou-se em nós o vaso da virgindade
Nascem novas cores na arte do mundo
A vida em nós brotou, nascemos de novo!

Alberto Cuddel